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Gestão de Revendas

Como saber quanto um carro realmente custou na sua revenda

O preço de compra é só a primeira parcela do custo de um veículo. Veja o que entra na conta, por que a média engana e como calcular o custo real carro a carro.

E Equipe AutoTurbo 6 min de leitura

Pergunte a qualquer dono de revenda quanto custou o carro que está ali na frente e a resposta vem rápido: o preço de compra. É o número que ele negociou, que ele pagou e que ele lembra. O problema é que esse número quase nunca é o custo do carro — é só a primeira parcela dele.

A diferença entre o preço de compra e o custo real é onde mora a margem de uma revenda. E é justamente onde ela costuma desaparecer.

A conta que quase todo mundo faz

A conta mental mais comum na revenda é esta: comprei por 52, vendo por 59, sobram 7. É simples, é rápida e serve para decidir na hora se o negócio interessa. O incômodo aparece no fim do mês, quando o dinheiro que deveria ter sobrado não está lá — e ninguém consegue apontar exatamente para onde ele foi.

Não foi para lugar nenhum misterioso. Foi para a funilaria, para o despachante, para o guincho, para a comissão do vendedor e para o IPVA atrasado que veio junto com o carro da troca. Cada um desses gastos foi pago com consciência, um de cada vez, em dias diferentes. O que não aconteceu foi alguém somar os cinco e colocar o resultado ao lado do preço de venda.

O que falta na conta

Os itens abaixo aparecem em quase toda revenda. Alguns são óbvios e mesmo assim ficam de fora, porque são pagos semanas depois da compra e por pessoas diferentes.

Preparação

Funilaria, pintura, polimento, revisão mecânica, jogo de pneus, higienização. É o grupo mais variável: dois carros comprados pelo mesmo preço podem sair da preparação com dois mil reais de diferença entre eles. Quando a preparação é feita na oficina da própria loja, o custo costuma ser tratado como zero — o que é o erro mais caro dessa lista, porque peça, hora de mecânico e tempo de pátio continuam existindo.

Documentação

Transferência, taxas, despachante e os débitos que vieram com o veículo: IPVA atrasado, multas, licenciamento. Num carro recebido em troca, esse grupo é o que mais surpreende, porque a consulta completa nem sempre é feita antes de fechar o negócio.

Transporte

Guincho, cegonha, deslocamento até outra cidade para buscar o carro, combustível. Individualmente são valores pequenos; num pátio com trinta veículos, somam um mês de aluguel.

Comissão

Sai do lucro, não do faturamento. Ainda assim, é o item mais frequentemente esquecido na conta de rentabilidade, porque é pago depois — quando a venda já foi comemorada com o número errado.

A fórmula, sem mistério

O custo real de um veículo é o preço de compra somado a tudo o que foi gasto nele. Nada mais complicado do que isso:

Custo real = preço de compra + preparação + documentação + transporte + débitos

E o lucro da venda é o preço negociado menos esse custo real, menos a comissão de quem vendeu. Repare que a compra entra uma única vez: um erro comum em planilhas caseiras é lançar o valor da compra também como um custo, o que dobra o número e faz o carro parecer um desastre financeiro que ele não é.

Um exemplo com números

Um hatch 2019 comprado por 52.000, com preparação leve e documentação normal. A coluna da direita é a conta completa:

ItemValor
Preço de compra52.000
Funilaria e polimento1.800
Revisão e pneus1.400
Documentação e transferência900
IPVA atrasado700
Guincho350
Custo real57.150

Vendido por 59.000, o negócio que parecia render 7.000 rende 1.850 — e ainda falta descontar a comissão. Se o vendedor recebe 1% sobre a venda, sobram 1.260. O carro não deu prejuízo, mas também não deu nem de longe o que o dono achava que estava dando enquanto negociava.

O ponto importante não é o valor final. É que, na hora em que o cliente pediu 1.500 de desconto, quem estava na mesa achava que tinha 7.000 de margem. Com o custo real na tela, a mesma conversa teria acontecido de outro jeito.

Por que a média não resolve

A tentação natural é criar uma regra: "coloco dois mil de preparação em cima de todo carro e pronto". Funciona como estimativa grosseira para planejar o mês, e falha exatamente onde mais importa — no carro individual.

Numa loja multimarcas, a variação é enorme: o popular que só precisou de limpeza convive com o seminovo que precisou de motor. A média junta os dois e produz um número que não descreve nenhum dos dois. Pior: ela esconde o carro que consumiu o lucro dos outros, porque o prejuízo dele fica diluído numa conta agregada que parece saudável.

Como fazer isso na prática

  1. Registre o gasto no carro, não no mês. A pergunta que precisa ter resposta não é "quanto gastei de funilaria em agosto", e sim "quanto gastei de funilaria neste veículo". São dois controles diferentes, e só o segundo defende a margem.
  2. Lance na hora, não no fechamento. Custo lançado trinta dias depois chega atrasado para a decisão que ele deveria orientar — a negociação com o cliente.
  3. Inclua o que não tem nota. Serviço feito em casa tem custo. Um valor estimado é muito melhor do que um zero.
  4. Defina um piso por carro. Sabendo o custo real, dá para estabelecer o valor abaixo do qual o vendedor não pode ir — e ele não precisa saber quanto o carro custou para respeitar esse limite.

O que muda quando você sabe

A primeira mudança acontece na mesa de negociação: o desconto deixa de ser uma decisão de coragem e passa a ser uma decisão de conta. A segunda acontece na compra: depois de três meses com o custo real registrado, fica visível quais perfis de carro consomem preparação demais para o que devolvem — e a próxima aquisição muda.

A terceira, e talvez a mais importante, acontece no fim do mês. O lucro deixa de ser uma surpresa. Ele passa a ser a soma de resultados que você já conhecia, um por um, desde o dia em que cada carro foi vendido.

Equipe AutoTurbo

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Escrevemos sobre o que vemos acontecer dentro das revendas que usam o AutoTurbo: o que trava a operação, o que faz o carro girar e o que separa a loja organizada da que vive apagando incêndio.

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